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MUNDO BOTONISTA

Por Sergio Travassos (24/07/2026)

Farol

O jogo segue tenso. Pressão enorme. Segurar o empate nunca foi tão difícil. Adversário cruel, revoltoso como uma tempestade em alto-mar. Cadê o farol? Não o encontro. Sigo fazendo o que todo bravo marujo faz em um momento assim: lutar. Uma travada agressiva para tentar segurar o leme. Firme. Respiro lentamente. Preciso ser preciso. Lançar a bolinha num cantinho para tentar respirar. Consegui.

Uma luz. Parece que vi uma luz. O farol ou um raio? Ganhei alguns segundos. Agrupar é necessário. Chamar os marujos para as posições corretas nesse teatro do caos. Chamo um. Chamo outro. Consigo chamar um terceiro. A bolinha segue lá no ataque. Agora, sim, enxergo a luz. É ele, o farol. Tal qual à vida cotidiana, só com o mínimo de controle é que conseguimos enxergar a luz.

O mar ainda está revolto, mas estamos agrupados e sabemos para onde ir. Lá vem mais uma onda forte. Sustento a direção. Limpo a palheta molhada por causa das mãos ansiosas. Não quero beleza. Não quero sutileza. Quero apenas passar a bolinha para o outro lado. Nada é perfeito, mas preciso de uma bolinha perfeita. 

Foi boa, mas não perfeita. Lá vem mais terror na madeira que suporta bravamente as pancadas. Não adianta se assustar, penso. Manter a frieza e focar no que ocorre ao redor. Preciso, agora, parar de reagir. Tenho que tomar as rédeas da nau. E tomo. Decido forçar o ataque e tiro dois adversários do jogo em uma única jogada. Na outra jogada, recuar mais um ou avançar outro? Decido pelo improvável: lanço outro ao ataque. É vencer a tempestade ou morrer lutando. Não ficar atrás como um marinheiro de primeira viagem. 

O navio desliza lentamente como se fosse um barquinho num lago gentil. A posição perfeita. Agora é aguardar a resposta da natureza. Ela vem implacável. Mais uma bordoada no casco. Ganhou um lateral no meu ataque. Grito em silêncio. Ele corre e cobra. Preciso fazer uma jogada de 90 graus. Concentro-me e lanço a esperança. Consigo travar também. O caminho está aberto. Lanço mais para ganhar tempo do que para superar o momento. 

Sei para aonde ir. Sei o que é preciso fazer. O farol está lá. Decido ir com tudo. O farol nos indica o caminho para o gol salvador. Afasto-me das pedras e das ondas ferozes e adentro a baía estufando as redes intranquilas da tempestade.

Sergio Travassos é  jornalista com outras duas formações - Educação Física e Marketing - que atua há muito tempo em prol do desporto pernambucano. Tendo passagens pela Federação Pernambucana e CBFM. Sendo uma das figuras que mais defende o jogo de futebol de mesa, independente da regra de atuação, bem como que as competições sejam feitas em locais públicos, visando atrair mais visibilidade para o futmesa.

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travassos@mundobotonista.com.br
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