Painel do Mundo

Filho da Terra do Sol, junto com a família, o baião de dois e a tapioca, Mário Wilson carrega nas lembranças e no coração a paixão por jogar futebol de botão, se encantou pelo futebol de mesa durante a pandemia, tornando-se atleta e diretor da Federação Cearense de Futebol de Mesa do Ceará. Engenheiro por formação e professor por ofício, Mário busca contribuir com a formação de novos atletas, divulgação, gestão e organização do esporte. Ele usa essa tribuna do leitor para celebrar recentes avanços e tentativas de atrair novos adeptos para o futebol de mesa.

O rei não está nu
Por Mario Wilson (28/02/2026)
Não, o Rei não está nu! Não completamente, mas muito de sua relevância e presença está nua do convívio e do imaginário de muitas crianças que, hoje, não narram efusivamente os gols do artilheiros redondos do campinho de madeira. Muito sabemos da trajetória que levou o Rei a ser despido das brincadeiras de infância e as consequências que a falta desses jovens traz para nosso tão amado esporte, o qual vem, a cada ano, sofrendo com a falta de renovação de novos atletas. Jogos eletrônicos, celular, internet atravancavam o caminho do futebol de botão e seduziram a atenção de muitas crianças para um mundo de muito estímulo, conectividade e imediatismo.

Passadas algumas décadas com toda essa revolução, veio a pandemia, foi a pandemia, veio a adultização infantil nas redes sociais, brain rot e outras pautas que nos fizeram refletir a forma como nossas crianças estão vivendo nesse emaranhado mundo de novas tecnologias. Eis que, como o sol que aquece depois da chuva e os pássaros que saem do ninho para anunciar a alvorada de um novo dia, a proibição do uso de celulares nas escolas mudou a rotina dos espaços educativos e trouxe aos gestores educacionais o desafio de promover espaços físicos de esporte e lazer. Voltaram as brincadeiras de roda, os gritos, as correrias pelo pátio e, nesse bonde, o nosso Rei! Muito despido da memória das crianças, que, intuitivamente, não sabem mais como se brinca com aquele campinho de madeira quadrado, duas traves, palhetas, disco e botões.
É verdade que, como a roupa pendurada no varal em meio à ventania, muitos abnegados levaram vestimentas para que o Rei mantivesse sua identidade e seu carisma nas escolas, lares, famílias e clubes. Precisamos ressaltar que, em meio às dificuldades, o Rei não esteve só e nunca estará. E mais companhia o Rei terá para refazer sua vestimenta na imaginação das nossas crianças, pois as escolas retornam aos espaços de jogos e tabuleiros, o Rei retorna a um palácio de encantamentos que se eternizam por toda a vida, junto dele três fortes cavaleiros que se ajudam na alfaiataria da ludicidade entre a brincadeira e o esporte, os professores de educação física, intrépidos combatentes que lutam pelo desenvolvimento físico, emocional e cognitivo, junto deles, os gestores escolares, sistêmicos, destemidos e incansáveis em proporcionar experiências significativas, tão importante quanto, os botonistas, semeadores da paixão, costuradores de emoções através dos botões.
Esses são os alfaiates que estão espalhados pelo nosso país e que não deixam o Rei ficar nu, despido da imaginação e da emoção dos futuros jogadores de futebol de botão, dos futuros botonistas, que manterão o Rei vestido, com sua essência e identidade nas escolas, clubes e nas casas do nosso tão amado Brasil.
As ideias expressas nesse texto são de total responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal Mundo Botonista.
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