Painel do Mundo
Por Alysson Cardinali (20/03/2026)
O Xalingão do Grajaú

Ok, leitor(a), admito que a imagem que ilustra nossa primeira coluna no Planeta Dadinho, em 2026, não é das mais agradáveis. Impactante, ela retrata o que há de mais desapontador àqueles que amam o futebol de botão: ver o querido e famoso Xalingão – berço de nossas aventuras iniciais no esporte – na sarjeta, jogado às traças, remetido ao lixo da história. Deparei-me com essa triste cena pouco tempo atrás, ao sair para uma caminhada pelas arborizadas e agradáveis ruas do Grajaú, meu querido bairro, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Confesso que a situação me marcou – para não dizer que realmente me intrigou, incomodou mesmo! Ao longo das minhas passadas, em busca do corpo e mente sãos, a imagem ficou martelando em minha cabeça. Curioso e inquieto, à medida que ia andando e transpirando, me peguei pensando na razão de desfecho tão cruel àquele palco verde de alegrias e de diversão no primeiro contato de todos nós com nosso querido esporte.
Como sou um otimista inveterado e tudo na vida tem dois lados – o modo como enxergamos as coisas em sua totalidade é que faz toda a diferença –, tentei encarar o episódio de forma positiva. Mesmo com inúmeras perguntas e questionamentos na cachola, um mal que acomete 11 entre 10 jornalistas. Por que o Xalingão foi parar ali? Qual a sua história até aquele triste momento? No que ele viria a se transformar? Seria recuperado por uma alma caridosa e voltaria a ser palco de grandes jogos?
Apesar das dúvidas cruéis, a cada passada em minha caminhada, fui ‘desanuviando’ a mente e me dei conta de um ensinamento precioso que rege a rotina da Humanidade: tudo na vida tem começo, meio e fim – nos resta saber lidar e aceitar esta (às vezes dura) realidade. Mesmo o nosso querido e eterno Xalingão. Refeito dos questionamentos, mas premonitório, tratei de voltar a encarar a cena pelo lado positivo.
Vai ver o dono daquele Xalingão desgastado pelo tempo tenha apenas decidido passar a mostrar seu talento em um campo novo e um pouco maior. Quem sabe ele não tenha desistido de dar suas palhetadas e nem de sua paixão pelo futebol de botão. Possivelmente tenha apenas trocado de palco para seguir marcando golaços com seus ídolos das mesas. Afinal, a vida é feita de ciclos, que estão constantemente se findando e começando de novo. Que assim seja no futmesa, que assim seja na vida!
Biblioteca de "Planeta Dadinho"
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Nascido em Nova Friburgo (RJ) em 1971, mas morando há mais de 30 anos na cidade do Rio de Janeiro, o jornalista esportivo Alysson Cardinali, com passagens pelos jornais O Fluminense, Jornal dos Sports, O Dia e Expresso (Infoglobo), revistas Placar e Invicto, além do canal SporTV, é um apaixonado não só pela profissão, mas pelo futebol de botão. Praticante da regra Dadinho, Alysson é atleta filiado à Federação de Futebol de Mesa do Rio de Janeiro (Fefumerj) e, além de disputar as competições oficiais pelo Brasil, pretende divulgar o esporte e angariar cada vez mais praticantes para perpetuar o futebol de botão entre as futuras gerações.
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cardinali@mundobotonista.com.br




































